As fases da vida e os benefícios da Educação Musical para o Cristão: PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Denis Nogueira   
Segunda, 04 Junho 2007 12:34

Como se encontrar e atuar no Ministério Musical

 

 

Resumo: O processo de desenvolvimento humano e a luta do ser pelo crescimento e produzir, relacionando com o ensino musical. Os benefícios de uma educação musical, tanto na vida do outro como na experiência pessoal, os caminhos que se pode atuar com musica na igreja.

 

 

Ao nascer, o bebê ainda frágil e, dependente de sua mãe, está em busca de algo, e está determinado a conseguir, pode custar momentos de dor, choro, tristeza, angústia, mas quer, a todo custo pagar o preço. No ventre, o maior desafio, a luta pelo nascer, um instante traumático, de sofrimentos, e de aflições, quer mesmo é ser feliz, vivenciar o prazer, e para ele ter esses atributos poderá passar de uma escuridão para a luz do dia, a saída para o novo mundo, o externo, o “tapa”, o choro, o corte do cordão umbilical, a limpeza das vias nasais e respiratórias, sujeito a tudo pra continuar a viver.

 

 Os processos de busca do prazer aliados ao sofrimento, hora estão ligados, hora desligados, parece que para ser feliz precisamos passar pela dor, angústia, mas não é sempre assim, com o tempo a criança continua os seus riscos, e nesta busca, sabe que por vezes sentirá prazer antecedendo a dor, e em outras vezes, terá o prazer sem passar por momentos de sofrimentos, isso já é uma lição para nós adultos que temos por vezes, medo de se arriscar numa nova experiência.

 

Ao fazer as suas necessidades fisiológicas um bebê sente incomodo, em seguida chora, e a mãe mais que depressa resolve seu problema, se for fome, dá o alimento, se for outra coisa, chora de novo, até descobrir-se o real motivo de seu lamentar, nesta fase o choro é seu referencial único de comunicação, com a mãe e o mundo ao seu redor, essa é sua linguagem.

 

A luta pela fala é outra barreira que a vida lhe proporciona, balbuciando, cantarolando, articulando; o andar com as diversas quedas que o processo contém, o esforço, o cair e levantar, e o interessante é que, esta luta, produz na criança muito prazer, excitação, e ele vai a todo custo em busca de seu ideal, na fase infantil contém muitas outras questões acerca dessas lutas, e na busca do crescer, e cada momento é inovador e transformador.

 

Na teoria de Piaget, do desenvolvimento cognitivo, ele conclui que “a criança é concebida como um ser dinâmico, que a todo o momento interage com a realidade, operando com objetos e pessoas”.[1]  Na verdade, estou falando de um sujeito ativo em sua educação e conhecimentos adquiridos, onde em Piaget “o sujeito ativo é aquele que compra, exclui, ordena, categoriza, classifica, reformula, comprova, formula hipóteses etc. em uma ação interiorizada (pensamento) ou em ação efetiva (segundo grau de desenvolvimento)”. [2]

 

Na adolescência a fase da aquisição da identidade, da independência do individuo como ser social, a continua busca do prazer, satisfação, a mistura do sofrimento/prazer estão presentes, e o inimigo de nossas almas sabendo que é uma fase de dúvidas constantes, arquitetou planos para impedir a continuação desse processo de busca semelhante ao da criança.

 

Após a adolescência começa a decair essa busca, a luta para a grande maioria pelo crescer e de produzir algo, entra em estado de decadência, e é nisto que quero relacionar com a música, pois vejo que a música em sua construção interior promove o senso crítico, análise, disciplina, percepção e tantos outros benefícios, além de uma motivação a mais.

 

O Estudo da música contribui consideravelmente no desenvolvimento do individuo como um todo, no jornal Folha de São Paulo[3] tem uma matéria recente sobre música, onde Marcos Dávila diz acerca do que o “Aprendizado musical pode trazer de benefícios para concentração”, e ele traça estudos científicos acerca da música, e se conclui, “que, o estudo musical, principalmente na infância, contribui para o desenvolvimento de áreas cerebrais responsáveis pela coordenação motora e pela cognição”. E se um individuo estuda algum instrumento musical, a pessoa poderá desenvolver a “memória, percepção auditiva e raciocínio, entre outras coisas”, outros benefícios que provem do estudo de música é a capacidade de prever situações, proveniente do estudo de partituras, com a interpretação dos símbolos musicais de uma peça, e na questão do cantar, há benefícios também, a Sra. Luzia, aluna de canto de 52 anos diz que "O canto ajuda no auto-conhecimento e cura as dores da alma. Mas, para cantar, também é preciso raciocínio".

 

As contribuições que a música nos acrescentam são infinitas, e vejo em minha própria experiência como individuo, que, aos nove anos já tinha muito interesse por música, porém, vindo de família pobre, minha mãe e pai, nunca perceberam e valorizaram esta minha tendência artística, aos dezesseis anos começou por intermédio da igreja, num estudo de forma inicial e superficial, e que, aos vinte e um anos (já casado) comecei um sério e profundo estudo em música, aos 25 estava com uma escola[4] de música e dando aulas, tocando piano, ensaiando grupos vocais da igreja, e fazendo palestras sobre música, os benefícios que recebi e recebo até hoje são numerosos, como profissional, como pai, amigo, nos meus relacionamentos, clientes, alunos, igreja, sociedade, são enormemente contribuição da música, disciplina, cuidado, sensibilidade, percepção da vida e de mundo são cada vez maiores, e a maior de todas as bênçãos que recebi, foi a de ter, além de minha preservação como membro da igreja, vejo irmãos animados, motivados a permanecer servindo ao nosso Mestre por esse ministério, sem contar almas que foram agraciadas com a benção da conversão por intermédio do trabalho musical direta ou indiretamente.

 

Em experimentos científicos dos benefícios do estudo musical, contém o famoso efeito Mozart[5], com o aumento da capacidade intelectual, cognitiva e espacial, do QI, se de fato estes experimentos dão certo ou não, é difícil saber na realidade, para mim o que é fato, é que tenho três filhos, e o primeiro estimulei ele com a audições constantes não só de Mozart, mas de Beethoven, Bach, Chopin, e todo tipo de música, sons de música de alto nível intelectual, e vejo, que, em comparação aos outros filhos, começou a falar mais rápido, é mais tranqüilo, reflexivo, e o pacificador da família.

 

Uma coisa é certa, a música erudita, ou o estudo da música faz-nos melhores de alguma forma, vejo que a música pode contribuir para o bem ou mal de uma pessoa, pode influenciar para sentimentos não explorados, imagine colocar sons de trilha sonora de filmes e terror para ouvir antes de dormir, esses são sugestionáveis, nos causam sensações físicas e mentais ruins, e não adiante não querer, é fato. E como compositor sei que, no processo composicional se usam muitos trítonos, intervalos bem próximos, cromatismos, sons muitos agudos e muito graves, sem o som médio, que nos causam uma certa euforia, angustia, aflição.

 

Em nossa luta pra ser feliz, e a busca do prazer, Satanás está lutando pra que se não estude música, pois, aquele que estuda partituras, leituras, audição, harmonias, instrumentos, análise, canto e tanto o mais, faz-nos ser mais sensível, disciplinados, mais reflexivos, e inclusive, mais felizes, motivados, com uma nova perspectiva, além de mais musicais, é claro.

 

Ao se estudar música os dois lados do cérebro (racional/emocional) estão em constante atividade, se você é muito emotivo, será exigido o raciocínio lógico, e se é muito racional, será forçado o lado mais emotivo, o fazer música em sua profundidade gera um equilíbrio das esferas mentais.  

 

Falando agora do prazer, esta palavra está desvirtuada e pervertida, quando uma pessoa sente o verdadeiro prazer que Deus aceita e aprova, ele sente satisfação em alcançar seu ideal, e o resultado, é a busca de um outro patamar, um novo ideal, cada vez maior e melhor, e isso não causa culpa ou tristeza. O prazer que o mundo prega é um prazer momentâneo, efêmero, temporal, que não nos traz benefícios para ninguém só aos sentidos egoístas. O Psicólogo e terapeuta Alexander Lowen, em seu livro Prazer, na introdução (pgs. 9-11), comenta sobre o verdadeiro prazer:

 

O prazer não pode ser controlado nem comandado pelo homem. Na opinião de Goethe, é um dádiva de Deus para os que se identificam com a vida e se alegram com seu esplendor e beleza. A vida, em troca lhes dá amor e graça...Apesar de a promessa de prazer ser um tentação do diabo, o prazer não pode ser proporcionado pelo diabo...O prazer é a origem de todos os bons pensamentos e sentimentos. Quem não tem prazer corporal se torna rancoroso frustrado e cheio de ódio (aqui ele não está dizendo de sexo somente, e sim de físico, manual, o corpo envolvido no que faz! Grifo acrescentado). Seu pensamento torna-se distorcido e seu potencial criativo se perde. Ele desenvolve atitudes autodestrutivas.

 

O prazer é a forca criativa da vida. A única força capaz de se opor à destrutividade em potencial do poder. Muitos acreditam que esse papel pertence ao amor. Mas para que este não seja só mais uma palavra, terá que se basear na experiência do prazer. 

 

O maior prazer que Deus quer lhe implantar, é um prazer onde você se dá numa entrega total a Cristo no Seu serviço, e, na música, veremos outros crescer, fazendo música em condições de constante aprendizado, a disciplina e as atividades, serão uma constante para beneficio de si próprio, e da comunidade, de meus irmãos, isso é que Deus quer que façamos, e a alegria que isso gera, só no Céu é que veremos.

 

É bom deixar claro que a música não é a resposta pra todos os problemas e o sofrimento humano, e é importante ter consciência disso. Cristo é a única resposta para todos os nossos problemas, e somente Ele é o nosso motivo e nosso prazer, assim como no Céu existia e existe música, é plano de Deus hoje em nossa vida, que tenhamos música para que nessa terra de pecado e aflições, possamos ter um lenitivo organizacional, que possa contribuir com os indivíduos e a sociedade em geral.

 

Você poderá dizer “mas eu não nasci pra música”, na verdade todos podem ser músicos, o problema é saber em que ramo da música pode-se atuar, porque veja as possibilidades que se pode atuar na música da igreja:

 

·         Cantores – Pode-se cantar como solo, dueto, trio, quarteto, grupos, conjuntos, coral, e quando digo cantar, pense nas possibilidades que está área requer, a técnica vocal, a leitura de partituras para conhecer músicas novas, visitação nas casas (coisa que poucos querem fazer[6]). 

 

·         Instrumentos – A quantidade de instrumentos que existem nessas linhas abaixo é insuficiente pra se escrever, além dos de fabricação inusitadas (www.fernandosardo.mus.br – um luthier de fabricação de instrumentos), como sax de cano de PVC, chocalhos, flautas de canduítes, instrumentos de cordas estranhos, e tantos outros, limitamos o louvor a Deus num tradicionalismo instrumental, estudar sons novos, para Honra e Glória somente Dele, e que ele merece, se você estudou um violino ou qualquer outro das cordas (violinos, violas, violão, guitarras, contrabaixo, cavaco, banjo, guitarra stell, viola caipira, ou da gambá ou mesmo de coxo) e não deu certo, busque outro, de outra família, tipo de sopros ou madeiras (Saxofones, flautas, clarinetas, oboé, fagotes), e ainda tem os de metais (trompetes, trompas, trombones, bombardinos - eufonios, tuba) e ainda o de percussão (temperados - piano[7], marimba, xilofones, metalofones, timpanos, pois tocam sons de notas reais e claras; e os destemperados – bumbo, tambores, pratos, caixa, caxixi, chocalho, berra-boi,  pandeiro, prato suspenso, tamborim etc) que, como igreja, temos muito preconceito, não é sem razão, até por mal testemunho de outros músicos que usam deles como um instrumento hipnótico de “grooves” constantes, tudo bem, quer fazer, faça numa música, mas em tudo que é música fazer uso disto, é complicado. A associação com estes instrumentos percussivos destemperados ainda é mal vista, ao mesmo tempo que, tem músicas que são tão bem gravadas em nosso meio, que as igrejas não reclamam, onde os instrumentos de percussão estão em segundo plano, em outras situações o som percussivo é predominantemente forte, e a mensagem perde o foco. 

 

·         Educação Musical – Este é outro oceano de vidas sendo transformadas pelo estudo de música, e é maravilhoso e a maior de todas as bênçãos é, a meu ver pessoal, onde o indivíduo que não sabiam nada de música, e que eram improdutivos na igreja, e que agora são úteis cantando, tocando, ensinando música, ministrando o louvor na igreja. O estudar instrumento, técnica vocal, para ensinar os outros que não conseguem, realmente é um trabalho complexo e que toma nosso tempo, mas, é gratificando e recompensador. 

 

Existem dois tipos de artistas, o chamado performace, aquele que sempre faz arte para estar na frente, fazendo, atuando, executando, com a mão na massa, e aquele que chamaremos de construtor, aquele que aprende a fazer, sabe fazer, até pode estar na frente com a mão na massa, mas seu maior prazer, é estar na construção do fazer, é aquele que ensina a fazer, que dirige, rege, ensina, promove uma interação de grupo para que as coisa aconteçam. Precisa perceber quem você é, para estar neste ministério, pois “precisam-se de homens que não se compram e nem se vendam”. 

 

Cristo é o grande e único motivo que nos faz trilhar as verdades para este tempo, ele é a razão de sairmos de nossa letargia e caminhar rumo “ao alvo, o premio da soberana vocação”, e mais que tudo, temos que “ser obreiros em que não tem no que se envergonhar”, usemos a música como um aparelhamento que reforce esta verdade para o fim. Amém! 

 



[1] Texto extraído de Vera Lúcia F. Zaccharias, Mestre em Educação e Diretora de escola aposentada

[2] idem.

[3]Texto Aprendizado musical pode trazer benefícios para concentração no Folha on-line: www1.folha.uol.com.br/folha/ equilibrio/noticias/ult263u3911.shtml do dia 21/04/2005.

[4] Centro Musical New Song, Av. Sto Amaro, 5446 – tel: 5182-8091 – www.centromusicalnewsong.com/v1 

 

[6] A maioria dos cantores quer cantar na igreja, no púlpito, no dia de sábado, quando se pode fazer muito pelo canto evangelístico, em estudos bíblicos, pequenos grupos, orfanatos, hospitais, shoppings, praças, mas não querem se expor, e mostrar o nosso Deus ao mundo!

[7] Por incrível que parece ele é um instrumento de percussão!

 

Actualizado em Sexta, 09 Outubro 2009 17:19